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sex. nov 15th, 2019
Prefeitura de São Bento do Sul

Central de luto de Curitiba não deixar a família sepultar mulher em Santa Catarina


O espírito cristão e os sentimentos humanitários do prefeito Rafael Greca estão sendo colocados à prova por um acontecimento constrangedor deste fim de semana. Provavelmente ele se verá obrigado a repensar a kafkiana burocracia da central de luto do município e promover mudanças na regulação dos serviços das empresas funerárias – não raras vezes acusadas de formar uma “máfia”.

O caso da morte da moradora de rua que não tinha comprovante de endereço. A história envolve a morte da jovem Deise Betcher, 35 anos, que vivia em Curitiba na condição de moradora de rua. Dependente química, ela deixou a família em Maracajá, município de 7 mil habitantes situado no extremo Sul de Santa Catarina, a 200 quilômetros de Florianópolis. Morreu na rua provavelmente vítima de pneumonia.

Sem documentos que a identificassem e sem sinais de violência física, a Delegacia de Homicídios registrou sua morte como resultante de causas naturais e encaminhou o corpo para o IML. A notícia demorou a chegar à distante Maracajá e de lá veio um irmão de Deise, Rinaldo, para fazer o reconhecimento do corpo e obter a liberação para sepultamento no cemitério local junto à família. Trouxe um carro funerário de Maracajá para fazer o transporte.

Aparentemente, tudo simples. A Delegacia de Homicídios forneceu-lhe o documento da ocorrência onde ficou registrado seu último endereço conhecido – a casa da família em Maracajá. De posse deste documento, reconheceu o corpo no IML e obteve o atestado de óbito. Mas faltava a autorização do Serviço Funerário Municipal para liberar o corpo para sepultamento em sua cidade natal.

Foi neste ponto que a história de revestiu de desumanidade, embora sob a capa das leis curitibanas que regulam os serviços funerários: o sepultamento só poderia se feito por funerária de Curitiba e que estivesse “na vez”, conforme o sistema de rodízio entre as 26 empresas credenciadas. Portanto, o carro funerário de Maracajá deveria ser dispensado. Mas não só isso: se Deise morreu em Curitiba e aqui morava, deveria ser apresentado um comprovante de endereço – uma conta de luz, por exemplo.

Os funcionários municipais não se comoveram com a explicação de Rinaldo de que, tendo Deise abandonado a família para morar nas ruas em Curitiba, não teria um talão da Copel para comprovar seu novo “endereço”!

E, não sendo isto possível, não liberaria o corpo, mas, em contrapartida, a prefeitura poderia providenciar o enterro gratuito da moça, como indigente, no cemitério do Boqueirão. Não tendo mais alternativa para lutar contra a burocracia desumana que já durava três dias, Rinaldo acabou concordando.

Mas é melhor que ele mesmo conte a história, como se vê no vídeo abaixo. Mas antes disso, uma explicação que o chefe do Serviço Funerário Municipal, Edimar Rosa de Araújo, deu em entrevista para a Rádio Banda B: “A lei tem de ser cumprida. Se nós liberássemos o corpo sem comprovante, teríamos de responder posteriormente sobre o motivo dessa decisão. A lei do município prevê isso. Não é má vontade, é o cumprimento da lei”, afirmou.

Confira o vídeo do testemunho do irmão da mulher falecida.

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