Mercado devem reagir bem a Maia e Alcolumbre mas vitória exige cautela

São Paulo, 4/2/2019 – Os mercados devem reagir de forma positiva ao resultado das eleições para presidência do Senado e da Câmara, que elegeram Davi Alcolumbre (DEM-AP) e Rodrigo Maia (DEM-RJ), dois nomes apoiados por membros do governo de Jair Bolonaro. Segundo especialistas, a vitória dos políticos facilita o andamento de reformas, sobretudo a da Previdência. Eles ponderaram, entretanto, que o pleito deve ser lido com cautela, uma vez que os poderes de Alcolumbre e Maia são limitados e surpresas podem aparecer, principalmente no Senado, em que a disputa mostrou uma casa mais dividida.

Segundo o economista-chefe da Nova Futura Investimentos, Pedro Paulo Silveira, a vitória de Maia e Alcolumbre dá mais gás ao otimismo do mercado com as reformas de Bolsonaro, que focam em uma economia mais liberal. Isso deve animar os ativos domésticos na segunda-feira, mas Silveira destacou alguns percalços diante do que chamou de “um resultado líquido de vitória do governo”.

Para Silveira, a vitória de Maia ficou dentro do aguardado pelos analistas e próprio governo. “Eu imagino que reforça a ideia de que vai ser mais fácil para negociar com a Câmara tendo ele (Maia) como interlocutor”. As dúvidas, porém, vieram após os conflitos no Senado, destacou o economista. “(O contexto) mostrou um Senado mais problemático. A forma como aconteceu, bem turbulenta, pode trazer um pouco de emoção para o governo. Mas, no final das contas, sinaliza que o governo tem a maioria lá”, disse.

O economista-chefe da Necton Investimentos, André Perfeito, pondera que ainda é cedo para avaliar os reais benefícios que o sucesso do governo na indicação dos dois nomes trará para o andamento das reformas.

“É provável que o mercado se entusiasme (com a vitória dos aliados), mas vai demorar muito ainda para a gente entender se eles (Maia e Alcolumbre) vão conseguir articular ou não. A vitória do Davi pode ter deixado cicatrizes no Senado”, disse Perfeito.

De acordo com o economista, o pleito tumultuado e o conflito com Renan Calheiros (MDB-AL) podem ser uma conta cara no futuro. “O custo elevado é que o Senado está conflitado. Renan (Calheiros) é um inimigo poderoso e eles conseguiram transformar ele em um inimigo (do governo) e isso preocupa”, argumentou.

Perfeito avaliou, ainda, que a vitória de Maia não garante sinal verde para o governo na Câmara. “Maia conseguiu chegar de forma contundente e fazendo acordos tanto com a direita, quanto com a esquerda. Não se sabe que tipo de aliança é essa que se construiu”, disse.

O economista-chefe da Necton lembrou que Maia pode facilitar o trânsito do governo, mas que ele sozinho tem poderes limitados. “As pessoas vão ter de ir atrás dos votos na Câmara. Não depende dele (Maia)”, afirmou, acrescentando que o governo poderá ter dificuldade no andamento das propostas que dependam das mesas diretoras. (Cristian Favaro – cristian.favaro@estadao.com)

Marcos Cardozo

Formado em Jornalismo, crítico, produtor de conteúdo e mídias sociais, autor e Fundador do canal de notícias saobentonoticias.com.br.

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